As três fases da análise de conteúdo de Bardin
Pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados: o que se faz e o que se entrega em cada uma.
Resposta curta
As três fases são: pré-análise (organização do material, leitura flutuante, formulação de hipóteses e escolha da unidade de registro), exploração do material (recorte em unidades, codificação e categorização) e tratamento dos resultados (enumeração, inferência e interpretação). Cada fase tem uma entrega concreta, e é por isso que vale escrevê-las no método na ordem em que aconteceram.
Fase 1: pré-análise, e o que ela entrega
Atividades: reunir o corpus, leitura flutuante, formular hipóteses e objetivos, escolher os índices e definir a unidade de registro.
Entrega: um corpus fechado (você decide o que entra e o que fica fora, com critério declarado) e uma frase no método dizendo qual é a unidade de registro.
Sinal de que a fase não terminou: você ainda está incluindo documentos novos depois de começar a codificar. Corpus que cresce durante a codificação obriga a recomeçar, porque as primeiras unidades foram julgadas com outro contexto.
Fase 2: exploração do material, e o que ela entrega
Atividades: recortar o corpus em unidades de registro, codificar cada unidade, agrupar os códigos em categorias e conferir os critérios de Bardin.
Entrega: um sistema de categorias com nome e definição escrita para cada uma, mais a tabela de quais unidades foram para onde.
A definição escrita não é burocracia. É o que permite a outra pessoa codificar o mesmo corpus e chegar perto do seu resultado, o que Bardin chama de objetividade. Sem definição, a categoria muda de sentido ao longo do trabalho e você nem percebe.
Fase 3: tratamento dos resultados, e o que ela entrega
Atividades: enumerar (frequência, presença, intensidade), cruzar categorias, inferir e interpretar à luz do referencial.
Entrega: o capítulo de resultados e discussão, com os quadros e gráficos lidos no texto, e a resposta à pergunta de pesquisa.
Aqui vale um cuidado de escrita: gráfico inserido sem comentário conta como figura decorativa. Toda figura precisa de pelo menos um parágrafo dizendo o que ela mostra e o que isso significa.
Como escrever isso no seu método
Uma estrutura que funciona, em quatro frases:
- Qual é o corpus e como ele foi constituído.
- Qual é a unidade de registro e por que essa.
- Se a categorização foi a priori, a posteriori ou mista, e quem definiu as categorias.
- Como foi feita a enumeração e como a inferência se apoiou no referencial.
Se você usou software, essa é a hora de citá-lo, do mesmo modo que se cita NVivo ou Atlas.ti.
Onde o BardinAI entra
O BardinAI é organizado nas mesmas três fases, na ordem, para que o seu método descreva o que de fato aconteceu. Você fecha o corpus, define ou aprova as categorias com as definições, revisa a codificação e recebe uma proposta de texto que já lê os gráficos.
Acesso pelo navegador.
Você revisa e assina tudo.
Perguntas frequentes
As três fases precisam ser sequenciais?
Na prática há vaivém, sobretudo entre a fase 2 e a 3. O que não se deve fazer é acrescentar documentos ao corpus depois de iniciada a codificação.
O que é leitura flutuante?
O primeiro contato com o material, sem anotar nem classificar, para deixar surgir a impressão geral. É onde você percebe contradições e fugas de roteiro que a codificação depois esconde.
Preciso descrever as três fases na dissertação?
Sim. A banca avalia se o método foi seguido, e a forma de mostrar isso é descrever o que você fez em cada fase, com as decisões declaradas.